Educar uma criança é uma responsabilidade partilhada
Quando pensamos na educação de uma criança, é frequente concentrarmo-nos na relação que cada progenitor estabelece individualmente com o filho.
Perguntamos se a mãe é afetuosa, se o pai estabelece limites ou se cada um consegue responder adequadamente às necessidades da criança. No entanto, existe outra relação igualmente importante: aquela que se constrói entre os adultos enquanto figuras parentais.
É a esta relação que chamamos coparentalidade.
Pode acontecer que duas pessoas desejem genuinamente o melhor para o filho, mas tenham ideias diferentes sobre como educá-lo. Cada uma transporta a sua história, os valores recebidos na família de origem, as suas expectativas e até os seus próprios receios.
Estas diferenças fazem parte da experiência parental. A coparentalidade começa precisamente na forma como os adultos procuram coordenar essas diferentes perspetivas.
O que significa coparentalidade?
De acordo com a literatura científica, a coparentalidade refere-se à forma como os pais ou outras figuras parentais se relacionam entre si no exercício das suas responsabilidades relativamente à educação e aos cuidados de uma criança.
O conceito inclui a maneira como os adultos:
- comunicam sobre a criança;
- coordenam decisões parentais;
- organizam os cuidados;
- reconhecem o papel de cada figura parental;
- procuram responder às necessidades da criança.
Assim, a coparentalidade não se refere apenas às ações individuais de cada progenitor. Refere-se à relação que existe entre as pessoas que partilham responsabilidades parentais.
Ideia-chave: A parentalidade descreve a relação de cada adulto com a criança. A coparentalidade descreve a forma como os adultos se relacionam entre si enquanto cuidam e educam essa criança.
Quando existe uma relação coparental?
Existe uma relação coparental sempre que duas ou mais pessoas partilham, de forma regular e significativa, responsabilidades relacionadas com a educação, a proteção ou o desenvolvimento de uma criança.
Esta relação não depende apenas de uma ligação biológica. Também não exige que as responsabilidades sejam distribuídas de forma exatamente igual.
O que define a função coparental é a existência de uma responsabilidade partilhada relativamente à criança.
Por esse motivo, a coparentalidade pode estar presente em diferentes configurações familiares. O conceito permite compreender a família a partir das funções efetivamente exercidas, e não apenas a partir de um modelo familiar único.
Uma relação que se vai construindo
A coparentalidade não surge pronta no momento em que nasce um filho. É uma relação que se desenvolve ao longo do tempo.
Os adultos precisam de aprender a tomar decisões, ajustar expectativas e encontrar formas de responder às mudanças próprias do desenvolvimento da criança. Aquilo que funciona durante os primeiros meses de vida poderá precisar de ser reorganizado na entrada para a escola ou na adolescência.
Também os acontecimentos familiares e sociais podem exigir novos ajustamentos. O trabalho, a disponibilidade emocional, a saúde, as condições económicas e a existência de uma rede de apoio influenciam a forma como as responsabilidades parentais são vividas.
Por isso, a coparentalidade não é uma característica fixa da família. É um processo dinâmico, sujeito a mudanças, dificuldades e possibilidades de aprendizagem.
Reconhecer a coparentalidade não é procurar culpados
Falar sobre coparentalidade não significa avaliar qual dos adultos é o melhor progenitor.
Significa observar a relação parental como um espaço próprio dentro da família. Nesse espaço encontram-se diferentes histórias, crenças, necessidades e formas de compreender a educação.
Algumas famílias conseguem organizar esta relação de forma espontânea. Outras encontram dificuldades que se repetem e causam desgaste. Em ambos os casos, compreender o que é a coparentalidade permite olhar para a experiência familiar com maior clareza.
Em vez de perguntar apenas:
“O que está este pai ou esta mãe a fazer?”
Podemos acrescentar:
“O que está a acontecer entre estes adultos quando exercem as suas funções parentais?”
Esta mudança de olhar ajuda-nos a compreender que a educação de uma criança não acontece através de relações isoladas. Acontece dentro de um sistema familiar no qual as ações de cada pessoa influenciam e são influenciadas pelas relações que a rodeiam.
Uma pergunta para refletir
Se partilha responsabilidades parentais com outra pessoa, pense por alguns instantes:
Como descreveria a relação que construíram enquanto figuras parentais?
Não procure uma resposta perfeita. Procure observar como comunicam, tomam decisões e se posicionam perante as necessidades da criança.
Reconhecer esta relação é o primeiro passo para compreender a coparentalidade.
Compreender para poder cuidar
A coparentalidade é uma dimensão central da vida familiar. Dar-lhe um nome permite identificar recursos, compreender dificuldades e reconhecer que a relação entre as figuras parentais também merece atenção.
Não se trata de exigir que os adultos pensem da mesma forma. Trata-se, antes de tudo, de reconhecer que existe uma responsabilidade comum: cuidar e educar uma criança.
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Este artigo tem uma finalidade informativa e não substitui uma avaliação ou um acompanhamento psicológico individualizado.
No próximo artigo, partiremos de uma dúvida frequente:
Coparentalidade e conjugalidade são a mesma coisa?